De trivela para os oitavos

Dono de fintas malabaristas e de trivelas que enchem as medidas aos apaixonados por futebol, Ricardo Quaresma é chamado por muitos um dos mais importantes trunfos de Fernando Santos. Por hábito começa no banco e entra na altura em que o adversário está mais fatigado, oportunidade perfeita para aproveitar o espaço livre nos corredores, maiores tempos de cruzamento e momentos de magia como se evidenciou frente ao Irão.

Ontem foi titular e decisivo para a permanência portuguesa na competição com uma trivela que  até “ parecia teleguiada”. Aos 34 anos, “Harry Potter”, alcunha dada pelos adeptos do FC Porto, faz este ano a sua estreia na maior competição de futebol após falhar 4 edições (em 2002, com 18 anos, e segundo António Boronha vice-presidente da Federação na época, chegou a ser considerado por António Oliveira). Finalmente Quaresma teve o seu momento no Mundial e, se em 2010 Carlos Queiroz o deixou de fora, em 2018 foi o jogador o responsável pela eliminação do selecionador iraniano. Quem diria, não é?

Quaresma vai ser sempre aquele jogador que a qualquer momento muda o rumo de um jogo, é um facto, no entanto o extremo tem sangue quente e ainda padece de alguma falta de controlo emocional, tal como aconteceu ontem, quando após levar um toque na cara, de seguida fez uma falta dura que resultou no amarelo. É a única coisa a apontar-lhe.

Nesta que pode ser a sua última grande competição com as quinas ao peito, o rei da trivela, e comendador português, ainda tem serviço e magia por mostrar. Isso e dores de cabeça para os adversários. Esperamos que o faça já no próximo sábado, frente ao Uruguai.