Agora…é a doer

Terminada a fase de grupos do campeonato mundial de futebol, é já amanhã que se iniciam os primeiros duelos dos oitavos-de-final, nomeadamente, entre o Uruguai e Portugal. A seleção uruguaia liderou o grupo A, tendo vencido os três jogos da primeira fase. Por sua vez, as quinas ficaram em segundo lugar do grupo B, tendo sofrido até ao último minuto, do terceiro jogo, para garantir a qualificação.

Analisando o percurso de ambas seleções, até ao momento, é de salientar o facto de a equipa celeste não ter sofrido qualquer golo, nos três jogos da fase de grupos, tendo também, convencido os adeptos com boas exibições. Já a seleção portuguesa tem demonstrado algumas fragilidades na defesa, bem como, na capacidade de criar perigo aos adversários, não tendo, assim, convencido com “bom futebol”. Quanto à história, as seleções apenas se defrontaram duas vezes, em jogos particulares, sendo que, as quinas venceram uma vez e empataram outra. O jogo de amanhã, será assim, o terceiro jogo – o primeiro oficial – entre as equipas. Já na história individual na competição, a seleção sul-americana leva a melhor, uma vez que, já se sagrou campeã do mundo, por duas vezes, enquanto a portuguesa, ainda, não conseguiu tal feito.

Apesar disso, a fase “mata-mata”, que amanhã arranca, tem-nos habituado a grandes surpresas, onde muitas vezes, as estatísticas e a história são contrariadas. Neste seguimento, apesar de Portugal defrontar um adversário motivado e forte, defensivamente e no ataque, tem 90 minutos para conseguir anular as forças do Uruguai e, assim, alcançar a vitória e, consequentemente, a passagem aos quartos-de-final. A tarefa não será fácil: a defesa portuguesa terá de estar atenta ao ataque demolidor, Luis Suárez e Cavani, fortes no duelo um para um, mas também nas bolas paradas. Além disso, o meio-campo português terá, impreterivelmente, de fruir a bola com rapidez, até à linha mais avançada, para que estes consigam surpreender e derrubar a defesa sólida do Uruguai (nomeadamente, Godín e Giménez). Assim, sendo o Uruguai uma equipa forte em todos os sectores (defesa, ataque e com um meio-campo renovado) é difícil encontrar-lhe pontos fracos, contudo, uma possível solução para derrubar a mesma, poderá consistir na exploração das laterais e, também, através da implementação de um jogo mais forte no meio-campo, obrigando ao desgaste elevado dos jogadores uruguaios, nessa posição.

Não obstante, e tal como anteviram os dois técnicos, amanhã disputar-se-á um grande jogo, com duas grandes seleções, com muita qualidade técnica e tática. Assim, a diferença poderá residir, não só nos aspetos técnicos, mas também, na parte comportamental e humana, isto é, na capacidade de luta, de gestão emocional e de motivação. Também este aspeto aproxima as duas equipas, uma vez que, ambas são lideradas por treinadores que se caracterizam por ter enorme capacidade de motivar os seus atletas, “puxar” o melhor de cada um deles e, sobretudo, promover a coesão e o espírito grupal.

Em suma, a equipa celeste apresenta-se como um osso duro de roer, prevendo um jogo impróprio para cardíacos. As quinas terão de jogar o seu melhor futebol e/ou ter a estrelinha do seu lado para aguentar, fazer frente e bater uma das poderosas equipas deste mundial e favoritas à conquista do mesmo.