Temos de jogar mais!

Portugal empatou com o Irão, 1-1, e carimbou a passagem aos oitavos de final, onde irá defrontar o Uruguai. Sem muito fazer, a seleção portuguesa conquistou o empate que lhe permitiu avançar na competição.

Contra o Irão a seleção das quinas nunca foi uma equipa atrevida à procura do golo, manteve-se a trocar a bola, muitas vezes sem objetividade. Poucos ou quase nenhuns jogadores atrás da linha média do Irão fazendo com que o nosso jogo tivesse que ser pelos corredores laterais, onde também estivemos mal.

Raphael Guerreiro está em má forma e tem falta de ritmo para um competição deste calibre e nunca conseguiu progredir pela lateral. Por outro lado, Cédric Soares não é um lateral que estique muito na lateral, sobe raramente e não arrisca em nada. Quando é pressionado bate na frente, por vezes sem nexo.

Sem poder jogar por dentro, por não termos lá ninguém e sem poder jogar por fora por falta de largura e de criatividade dos nosso laterais o jogo português estancou-se e viveu muito da posse de bola sem objetividade. Numa das poucas vezes que esteve alguém atrás da linha média do Irão (Adrien), para poder receber e enquadrar com a baliza conseguimos chegar ao golo, com um combinação entre Adrien Silva e Quaresma, premiada com um grande golo do extremo português.

Golo do Uruguai, adversário de Portugal nos oitavos de final, frente ao Rússia. Fonte: esporte.uol.com

Contra o Uruguai é preciso fazer mais e melhor.

Fernando Santos no comando da seleção nacional já nos habitou a um jogo conservador, sem muito arriscar e por vezes sobreviver pela qualidade dos nossos executantes, mas contra o Uruguai será preciso fazer muito melhor. Apesar da seleção sul americana manter um modelo de jogo idêntico ao nosso, onde o conservadorismo é a palavra de ordem, a seleção nacional terá de jogar melhor.

Não digo que não devemos ter um modelo conservador, mas se deixamos, por vezes cinco jogadores atrás de toda a equipa adversária(laterais, defesas centrais e médio defensivo) e mesmo assim somos surpreendidos pelo contra-ataque adversário, não nos vale de nada querermos ter bola, se com ela não conseguimos progredir por estarmos em inferioridade numérica no ataque.

Claro que sem bola estamos mais perto de sofrer, mas se quando a temos decidimos trocar a bola a um ritmo lento e sem objetivo de atacar a baliza adversária, com uma equipa de maior calibre, como o Uruguai podemos apanhar uns valentes sustos(tal como apanhámos frente ao Irão nos minutos finais do jogo) e para quê, se temos mais que qualidade suficiente para jogar mais e melhor.

Para quê sofrer?