Entrevista exclusiva ao piloto Vítor Baptista:” Ninguém sabe o que uma pessoa passa, sofre, se dedica, abre mão”

 

Vítor Baptista, brasileiro, 21 anos. É um dos jovens promessas na modalidade e que tem sido bastante medalhado. Fique a conhecer melhor o piloto, na Entrevista Exclusiva à Arena Desportiva. 

 

AD: Iniciaste o teu percurso no Karting. De onde e quando surgiu o teu gosto por ‘carros’?

VB: Aos 5 anos de idade me mudei para Aldeia da Serra, em Barueri – SP. Lá existe uma pista de kart e certo dia pedi aos meus pais para experimentar a brincadeira, tomei gosto, e aos poucos aquilo foi fazendo parte da minha rotina. Aos 8 anos fiz minha primeira corrida de kart.

 

AD: Em dois anos(2011,2012) foste campeão brasileiro de Juniores. Foi aí que percebeste que poderias mais longe neste desporto? 

VB: Acho que foi no ano de 2012 em que realmente focamos e fomos atrás de investidores. Tive a oportunidade de correr o Campeonato Mundial de Kart e me sai super bem, largando de 29º e chegando na 7ª Colocação. A partir daí, comecei a me preparar com karts mais fortes e entrei para os monopostos.

AD:  Em 2014 iniciaste a tua carreira nas corridas de Fórmula, começando no Campeonato Brasileiro e Fórmula 3. Fala-nos um pouco desse ano no campeonato brasileiro. 

VB: O ano de 2014 foi meu primeiro ano em um Fórmula, no ano anterior, fiz alguns treinos para me preparar e foram essenciais para a minha formação. Tive a oportunidade de correr com pilotos que já possuíam experiência em fórmulas e nos autódromos do Brasil. Corri na categoria Light, que era o carro antigo com menos aerodinâmica, mesmo assim consegui ganhar na classificação geral 2 vezes na temporada e me consagrei campeão de Formula 3 Light no Brasil. 

AD:  És considerado uma das mais promissoras estrelas em ascensão no Brasil. Como te sentes por este reconhecimento?

VB: Me sinto muito honrado e feliz de ter o reconhecimento de pessoas influentes e pilotos profissionais. Trabalhei durante muitos anos para chegar no nível que estou, experiências em diversos carros, países e categorias. Sou muito grato às pessoas que estiveram sempre ao meu lado e acreditando no meu potencial, sei que posso evoluir muito mais.

AD:  Em 2015 mudaste-te para a Europa. Como foi o processo de mudança?

VB: Minha adaptação na Europa foi bem rápida, minha mãe me acompanhou nas primeiras vezes, mas me havia me preparado com as línguas, falava bem inglês e havia começado o italiano. A equipe em que corri foi muito acolhedora e consegui me desenvolver de maneira rápida e eficiente.

AD:  Conseguiste ultrapassar na terceira volta o piloto Tereschenko e vencer a corrida da Euroformula Open. Quando começaste a ver os teus adversários para «trás» qual foi a sensação?

VB: Sempre é um sentimento muito bom, ver que estamos rápidos logo no início da corrida. Sabia que a vitória era certa se eu não cometesse erros.

AD:  Nesse mesmo ano, ganhaste o Euroformula Open. Era algo que ambionavas conseguir logo no primeiro ano?

VB: Era um sonho que se tornou realidade. Meu primeiro ano na Europa, pista novas e pilotos experientes, foi uma tarefa difícil, mas trabalhei duro com a equipe e todos a minha volta.

 

AD: Em 2016 a RP Motorsport iniciou o percurso na Fórmula V8 3.5. Como tem sido para ti esta aventura?

VB: Foi de fato uma aventura. Foi decidido isso muito em cima da hora, quase não tivemos tempo de preparação, quanto a adaptação, foi muito difícil. Tinha pouca experiência com carros fortes, e a equipe também pouca experiência com o carro. Aceitei o desafio e fomos. Foi um ano muito desafiador.

AD: Consideras que as corridas de fórmula são devidamente apoiadas e divulgadas quer no Brasil como na Europa? 

VB: Falando da Europa que foi onde tive mais conhecimento e experiência, acho que é bem divulgada, os campeonatos costumam distribuir folhetos e banners na cidade onde ocorrerá a corrida na semana que antecede. É claro que sempre pode melhorar, e é algo que sempre tento fazer a minha parte, gosto muito do público e do carinho que recebemos durante a visitação dos boxes. Temos que contar com o apoio da prefeitura da cidade para expor o show ao público.

AD:  Quem são as tuas maiores referência? Quer desportivamente, quer a nível pessoal?

VB: Esta pergunta é muito interessante, costumo dizer que procuro buscar o melhor de cada um e aplicar a mim. É difícil escolher uma pessoa e tomá-la como referência, ainda mais se não fazemos parte do dia a dia dela. Acho que cada pessoa tem um ponto forte e esse é o segredo, analisar e tentar absorver ao máximo o melhor de cada um para você ser a melhor versão de si.

AD:  Qual foi a situação mais díficil que tiveste de enfrentar  ao longo do teu percurso?

VB: O momento mais difícil da minha carreira ate hoje foi no final de 2016, quando tive a experiência com a Formula V8 3.5, acabei não tendo resultados muito positivos, e com a falta de apoio tive de retornar ao Brasil, sem ter ao certo nada negociado. Fiquei frustrado e tive que dar a volta por cima para conseguir novas oportunidades no país em que nasci.

AD: Acreditas que serás recordado um dia como um ‘lutador’?

VB: Acredito que serei recordado como um lutador principalmente pelas pessoas que continuaram ao meu lado e não me deixaram desistir nos momentos mais difíceis. É lindo ver o piloto ganhar uma corrida, subir ao pódio, trazer o troféu para casa ou simplesmente compartilhar nas redes sociais um momento feliz, o difícil, é ver o que fazemos para chegar a esses momentos. Ninguém sabe o que uma pessoa passa, sofre, se dedica, abre mão, serei eternamente grato as pessoas que nunca me deixaram desistir, e me fizeram ir atrás do que amo.

AD:  Tens apenas 21 anos, há muito caminho pela frente. Mas, neste momento, o que ambicionas no futuro?

VB: Sou um piloto jovem e que já passou por muitos momentos importantes e experiências que me proporcionaram aprendizados que muitos pilotos nunca terão a vida. Hoje sou piloto oficial Junior Program da Porsche no Brasil e faço parte da Academia de Pilotos da Shell. Meu foco é vencer o campeonato da Porsche Cup Brasil, que estou liderando e ter a oportunidade de fazer o teste do Junior Program na Europa. Foco 100% nos carros de Turismo e quero representar a Porsche e a Shell mundo afora.