O Cantinho do Santos: Convidada Rita Dantas

Sejam bem vindos, novamente, ao meu cantinho. Hoje tenho a honra de ter como convidada a Rita Dantas, 40 anos, natural de Viana do Castelo, apaixonada por ciclismo e mãe do ciclista Iúri Leitão, da Sicasal – Constantinos U23 Cycling Team, um dos mais promissores ciclistas portugueses da atualidade.

Uma conversa, onde para além da Rita nos dar a sua opinião sobre os principais temas da atualidade do ciclismo, nos fala de como ganhou amor ao ciclismo, e como se sofre sendo mãe de um ciclista.

Ricardo Santos (RS): A Rita é mãe do ciclista Iúri Leitão. Foi com o seu filho que ganhou a paixão ao ciclismo?

Rita Dantas (RD): O meu primeiro contato com o ciclismo foi através do pai do Iúri, também ele tinha sido ciclista e com ele “entrei” no mundo do ciclismo. Mas de facto a paixão nasceu, creio que em simultâneo com a do Iúri. Vê-lo dedicar-se tanto desde tão pequenino, vivermos cada treino, cada prova. O Iúri sempre levou muito a sério aquilo que ele considerava o trabalho dele, até mais que a escola, para ele era mais importante ir treinar que ir estudar. Felizmente eu tinha a oportunidade de o acompanhar nos treinos, e lá ia eu de quatro piscas ligados a protege-lo, sempre. E a paixão foi crescendo…tal como ele!

RS: Como é ser mãe de um ciclista? É ter o coração sempre nas mãos?

RD: Ser mãe de um ciclista é antes de mais uma felicidade ter um filho saudável e que decidiu dedicar-se ao desporto, depois, um orgulho imenso saber que o Iúri trabalha com paixão é dedicado, e a parte menos fácil, a constante preocupação enquanto treina, a ansiedade antes e durante as provas, coisas de mãe!
É de facto andar constantemente de coração nas mãos, sobretudo porque já apanhamos alguns sustos!

RS: O que sente uma mãe de um ciclista, quando ouviu por exemplo recentemente a morte do jovem ciclista Lambrecht em competição? Um jovem como o seu filho…

RD: Uma angústia enorme, fiquei muito triste, é sempre uma vida que se perde mas é inevitável a comparação com algo que nos está tão próximo, e a que estamos infelizmente sujeitos todos os dias. É terrível!

RS: O seu filho tem tido um ótimo percurso. Onde acha que ele poderá chegar?

RD: Eu como é óbvio não sei onde poderá chegar, sei onde ele merecia chegar. O Iúri é trabalhador, ama o ciclismo, tem o essencial.

RS: Falando agora da recente Volta a Portugal…acompanhou? O que achou do vencedor final João Rodrigues? Justo?

RD: Sim, acompanhei. O João Rodrigues é um ciclista muito jovem mas com grandes qualidades, não foi uma surpresa a vitória dele. Aliás, a equipa da W52 demonstrou uma enorme união e grande espírito de uma verdadeira equipa nesta Volta, muito se falou sobre a falta que faria o Raúl Alarcon e sobre a substituição dele pelo colega Gustavo Veloso, e eles mostraram exactamente o contrário, não haja dúvida que o Raúl é um otimo ciclista, mas o Gustavo fez uma Volta excelente.
Foi uma Volta a Portugal atípica muito emocionante até ao final, a decidir-se o vencedor no último dia! Parabéns ao João e ao Joni também!

RS: Joni Brandão, um extraordinário ciclista, reconhecido por todos…mas que ainda não conseguiu ganhar a Volta, apesar de entrar como um dos principais favoritos nas últimas 5/6 edições (tirando a que não participou). O que acha que está a faltar?

RD: Sinceramente? Sorte! O Joni está com uma falta de sorte tremenda, tinha tudo para ganhar este ano, mas a sorte não quis nada com ele. Foi até à última… mas não é o segundo lugar que lhe tira o mérito, para mim a Volta este ano tem dois vencedores o João e o Joni!

RS: Acompanha as principais provas de ciclismo, como Tour de France e assim, ou apenas mais só o seu filho?

RD: Sim, acompanho sempre que posso.

RS: O ciclismo é um desporto que leva multidões às estradas. O que acha que o distingue por exemplo do futebol?

RD: É difícil fazer comparações entre desportos, porque o que na verdade os distingue na minha perspectiva, são os seus adeptos. É óbvio que para mim o ciclismo é o verdadeiro desporto rei, onde o atleta dá o que tem e o que não tem, ultrapassa muitas vezes os seus próprios limites para não desistir. É adrenalina pura!
Mas como em todos os desportos, há sempre quem use as suas preferências “clubistas” para desestabilizar. Seja no futebol, ciclismo ou outro desporto qualquer!

RS: Recentemente Porto e Sporting voltaram ao ciclismo. Acha que se o Benfica voltasse à modalidade iria aumentar o prestígio da modalidade em Portugal, ou apenas iria ajudar a trazer para o ciclismo os “vícios clubistas” do futebol?

RD: Como Benfiquistas gostaria de ver o meu clube voltar a sua origem, obviamente, mas claramente aumentariam os “clubismos” sim, porque apesar de haver muito mais respeito a esse nível no ciclismo, haverão sempre os fanáticos como em qualquer modalidade. Infelizmente o Sporting ao que parece perderá a sua representação na próxima época, o que é uma pena para a modalidade.

RS: Sendo benfiquista, vou ter de lhe pedir um prognóstico de resultado para sábado…

RD: 2-1 vence o Benfica.

RS: Qual o seu ciclista preferido de todos os tempos?

RD: Eu gostava muito do Pantani e do Armstrong…na actualidade do Sagan, adoro a personalidade do Sagan e acho que veio mudar muito as mentalidades do uso da imagem no ciclismo, não era muito usual.