Competições Europeias: Grandes ‘aonde’?

O poderio dos (considerados) três grandes no futebol português é notório desde os primórdios da primeira liga profissional. O palmarés nacional justifica isso mesmo com os dois títulos ganhos, respetivamente, pelo Belenenses e pelo Boavista nas épocas de 1945/46 e 2000/2001, a servirem de mero e fugaz tubo de escape a esta soberania.

A referência supra aplicar-se-à de igual modo a outros campeonatos europeus, até de maior renome como a La Liga ou a Serie A italiana onde aqueles que lideram os mais prestigiados campeonatos nacionais, com o passar das eras, mantêm esta constância de resultados a nível nomeadamente interno. Porém, algo diferencia estas ligas da nossa: a competitividade externa.

Vejamos: a Juventus, crónica vencedora do campeonato italiano, contabiliza passagens dignas do seu estatuto nas mais altas competições europeias. Falar-se-à nomeadamente da final da Liga dos Campeões perdida em 2017 para o génio de Cristiano Ronaldo e o seu portentoso Real Madrid (ironia do destino, alguns dirão…).

De iguais proezas têm sido capazes o Real Madrid ou o Barcelona – eternos rivais – ano após ano nas competições da UEFA.

E Portugal? Quando veremos Portugal a juntar-se no reino dos soberanos?

Um país campeão europeu da modalidade e cujo campeonato nacional deu uma panóplia de talentos ao futebol internacional?

A última prestação de relevo e digna de “grande” da Europa pertencerá porventura ao FC Porto de José Mourinho e a conquista da Liga dos Campeões na época de 2003/04. Como o tempo voa…. Passados 17 anos o mais perto que temos de tal feito, é a final (perdida, refira-se) do Benfica de Jorge Jesus, de 2014 da Liga Europa.

Muitas questões de levantaram, recentemente, quanto a este tema, após a hecatombe europeia da última época. Na mais recente época Portugal colocava 5 equipas na Europa e num espaço de 5/6 meses a época europeia tinha acabado para todas. O Porto eliminado pelo tímido Krasnodar em meados de agosto, numa pré-eliminatória da maior prova de clubes da Europa, e o Benfica – então campeão nacional – após um terceiro lugar sofrível no seu grupo (conseguido apenas na última jornada da prova), colocavam-se desta forma entre o lote de equipas nacionais a representar Portugal na Liga Europa.

Não duraria muito tempo esta aventura, note-se. As 5 acabariam eliminadas no final de fevereiro aos pés de equipas medianas, patenteando assim a pior prestação europeia do século e o desnível competitivo evidente no futebol interno.

Recentemente li um artigo onde Delfim (antigo campeão nacional pelo Sporting) atribuía a culpa mor deste descalabro aos dirigentes dos clubes. Em parte, concordarei. Luís Filipe Vieira referiu aliás num hodierno discurso aos consórcios do Sport Lisboa e Benfica que almeja conquistar a Liga dos Campeões num futuro breve e que tudo se tem feito para tal. A verdade é que como crónico candidato ao título em Portugal, pouco ou nada se tem visto deste “Benfica europeu”.

A nível financeiro o clube da Luz encontrou estabilidade com a recente venda daquele que cremos ser um dos maiores talentos que passará pelo futebol – João Félix – porém, a nível desportivo o que mudou?

A mesma questão far-se-à ao FC Porto de Sérgio Conceição e, porventura ao ferido Sporting.

Será que os portugueses preferem mesmo Moreirenses (com o devido respeito), a Bayerns ou Barcelonas da Europa?

O nosso futebol atravessa uma axiomática crise, tanto a nível financeiro como desportivo, mas a questão mantém-se: Poder-se-á pedir um pouco mais aos “grandes”, ou o termo apenas se aplica por conveniência.