Entrevista a Tiago Veiga “Sou um privilegiado por pertencer a umas das maiores potências de formação do País”

AD: Como jogador foste federado desde os 6 anos e fizeste toda a formação no SC Braga. Consideras que o clube minhoto contribuiu bastante para o teu percurso enquanto pessoa e jogador?

TV: Completamente, a minha formação no SC Braga (sub14-sub19 e depois sénior) foi a minha maior escola da vida, tanto como jogador de futebol e também como pessoa. Os valores que ganhei ao pertencer à família do SC Braga, os amigos que fiz para a vida são os sinónimos disso mesmo. Passamos por dificuldades ao longo do processo que temos de resolver como grupo, como família e isso faz com que tenhamos de dar o melhor de nós em função dos outros e do grupo em que estamos inseridos.

Tiago Veiga é o último da fila contando da esquerda para a direita. Na altura, jogador da formação do SC Braga.

AD: Foste jogador, és licenciado em Desporto, Mestre em Treino Desportivo. Aparentemente podemos dizer que o teu ‘mundo’ gira à volta do futebol. Há lugar para um gosto ‘escondido’ por uma outra área?

TV: Esse meu historial diz tudo. Desde que me conheço não me vejo a pertencer a outro mundo. Foi neste mundo que cresci, desenvolvi e quero continuar a pertencer. Já fui jogador onde aprendi muito do que é o futebol, do lado mais bonito ao menos bonito. Fui estudante numa licenciatura e mestrado onde comecei a ver o desporto de uma forma mais científica e agora estou numa função de treinador onde tento juntar o melhor que aprendi como atleta e estudante de forma a servir o melhor que sei o clube que represento e os meus jogadores.

Tiago Veiga é o terceiro da primeira fila a contar da esquerda para a direita.

AD: Como treinador iniciaste o percurso na Academia TopFut, e atualmente és o treinador principal dos Sub-16 do SC Braga. Consideras que o teu percurso enquanto treinador ainda agora começou e que há muito que pretendes alcançar?

TV: Ainda sou um aprendiz, sinto e quero crescer muito, muito mais, absorvo e guardo para mim todas as conversas que vou tendo que serve como aprendizagens. Sou um privilegiado por pertencer a umas das maiores potências de formação do País e já com a sua marca na Europa. Não vou nunca esquecer a minha primeira equipa como treinador na Academia TopFut, pessoas do bem e não posso deixar de realçar o Mister Hélder Pereira que foi meu treinador e depois um amigo que me convidou para treinar na academia. Um treinador que muito me ensinou e continuar a ensinar nas conversas que vamos tendo. Resumindo, ainda não conquistei nada, mas sei o que quero conquistar e chegar.

AD: Qual é o teu maior objetivo enquanto treinador?

TV:A resposta é basicamente igual à de todos os treinadores, chegar a 1ª Liga, treinar na Liga dos Campeões penso que será o ponto alto de qualquer treinador. Agora eu não estou obcecado com isso, pois se o fizer vou perder o meu presente e só fazendo muito bem o meu presente conseguirei ter um futuro sustentado. Tenho 29 anos, sou uma “criança” neste mundo. Tenho tempo, e vou aproveitá-lo ao máximo para cada dia ser um melhor treinador e pessoa para ajudar os meus jogadores.

AD: Como jogador profissional atuaste pelo SC Braga. Da tua parte haverá um regresso ao futebol enquanto jogador ou continuarás do outro lado do relvado?

TV:Boa questão, neste momento já me sinto muito mais confortável como treinador do que como jogador pois vai fazer 2 anos que já não jogo. Mas não sei o dia de amanha. Foram 21 anos a jogar futebol e o “bichinho” está sempre aqui a remoer, mas sempre soube que quando os caminhos se cruzassem (jogador/treinador) a minha escolha seria começar a minha história como treinador. Sinto que fiz o meu trajeto como jogador e agora o caminho é o de treinar.

AD: Quais as características que na tua opinião um jogador de futebol é essencial possuir?

TV: Cada vez mais o jogador tem de ser completo. Já não chega a um jogador ser só forte tecnicamente ou taticamente e descurar do resto das características. Tem de ter características mentais/emocionais muito fortes para aguentar todos os altos e baixos que vai encontrar na sua carreira, tem de ter qualidade nas suas características técnico/táticas para que o treinador veja nele uma mais valia em termos de jogo jogado e por fim o aspeto social também, isto é, para além do jogador no campo como ele é como pessoa. Para mim tem um peso muito grande nas minhas escolhas, para além do jogador, gosto de saber como ele é como pessoa, como companheiro de balneário, como amigo/colega. Vamos passar muito tempo juntos e se não conseguimos conviver com um tipo de pessoa que não se enquadra nas diretrizes que nos definimos, tudo o resto vai ser estragado e acabar por contaminar todo grupo.

AD: Para além de muito trabalho existe o fator ‘sorte’, que por vezes não bate à porta de jogadores com bastante potencial. Consideras que também é preciso sorte neste ramo?

TV: Existe uma frase muito conhecida, mas que concordo “A sorte dá muito trabalho”. Acredito que o fator sorte esta muitas vezes associadas ao sucesso, mas nos temos de procurar, lutar, trabalhar para que a sorte esteja do nosso lado. Por exemplo, a sorte de não ter lesões, requer um trabalho muito exigente e exaustivo quer no treino físico quer no invisível (boa alimentação, boas horas de descanso), mas também podemos fazer isso tudo e termos o azar de nos lesionarmos. Na minha opinião, não nos podemos dar ao luxo de relaxar e esperar que a bola bata no pé e entre, temos de ir a procura de muito mais, com aquilo que controlamos, e o que controlamos é tudo aquilo que depende de nós, por exemplo, a nossa dedicação, o nosso foco, a nossa exigência, a nossa qualidade, juntando tudo isso a sorte aparecerá mais cedo ou mais tarde.


AD: Nos treinos no Sub-16 do SC Braga, enquanto treinador qual é o ‘valor’ principal que pretendes transmitir e incutir nos teus jogadores?

TV: Não me posso guiar por um só valor, aqui no SC Braga procuramos que os nossos jogadores saiam com muito mais valores do que quando entram, pois, é sinal que conseguimos alterar e acrescentar bons hábitos à vida deles. Estes são os valores que nós acreditamos que são fundamentais para que o jogador vá o mais longe possível na sua carreira e na sua vida pessoal. Têm de ser competitivos, com espírito de grupo e fair-play pelos colegas e adversários, terem compromisso e responsabilidade em todas as suas ações, ser rigorosos e competentes, empenhados, determinados, ter respeito e honestos em toda a sua conduta. Por fim serem uns apaixonados pelo que fazem, Paixão Pelo Jogo.